sábado, maio 02, 2009

Como entender? o vazio da profissão professor?



Houve um tempo, na recente história do Brasil, que a escola e seus professores ocuparam uma posição de destaque, de valor na sociedade. Não é o que vemos hoje, que pena!
A massificação do acesso ao ensino trouxe um bem, mas também trouxe um mal.
No Jornal Correio Braziliense do dia 30 de abril último, destaca-se a notícia "O espelho Enem" da qual reescrevo o seguinte fragmento do texto:

"... só um entre quatro brasileiros tem condições de se beneficiar das habilidades adquiridas na escola para continuar o processo de aprendizagem. (...) o fracasso do ensino também responde pela reprovação e evasão escolares. Aulas desinteressantes, professores desmotivados, material didático inadequado, bibliotecas mortas e laboratórios inexistentes expulsam os alunos da sala de aula. Fora do sistema, os jovens se tornam presa fácil do tráfico. (...) O resultado do Enem, divulgado na terça-feira, comprova o fracasso da escola pública. Das mil instituições com as piores notas, 965 pertencem ao Estado. As 905 com as notas mais altas são particulares. Das 20 públicas classificadas entre as melhores, 18 são federais, destacando-se os colégios de aplicação ligados às universidades."


Em suma, faltam investimento e boa vontade na implantação da excelência educacional, não é mesmo Governador Arruda? No investimento está a remuneração do professor, basta-nos observar que os professores dessas escolas particulares ou dos colégios de aplicação recebem valores e vantagens maiores que os oferecidos pelas escolas públicas dos estados.
Havemos, portanto, de concordar com a Visão do Correio: "Sem democratizar o saber, sonega-se a única chance de mobilidade social de que os pobres dispõem."
E eu pergunto: a quem interessa a não mobilidade social dos pobres?
Sem tratamento isonômico salarial, e outros benefícios, em relação às demais categorias profissionais de nível superior, tais como analistas legislativos, administrativos ou judiciários, não tem como, no nosso país, atrair de forma permanente as melhores cabeças recém-saídas das universidades para fazerem da Educação seu ideal de vida profissional.
Muitas dessas cabeças usam as salas de aula como um trampolim, um degrau para seguirem adiante até encontrarem um topo seguro e satisfatório para exercerem sua profissão.
De qualquer modo sabemos que:

Há aqueles que permanecem como professores porque já têm uma vida material bem organizada e farta.
Há aqueles que tem em seu coração a vida de professor como seu ideal, apesar do sufoco mas com o passar do tempo se vê em apuros financeiros na hora de pensar no seu necessário aperfeiçoamento profissional, desmotiva-se em certos momentos, e talvez sem perceber sua capacidade de evoluir na disciplina fica comprometida e logicamente a qualidade do que ensina também. E vai levando suas aulas desse modo, contando cada minuto para sua aposentadoria.
Mas ainda há aqueles que nasceram para mártir, pois inovam apesar da carência de recursos; se desdobram com excessos de trabalho inclusive nos fins de semana; dão aulas em duas ou mais escolas diferentes para ter uma soma salarial razoável; reduzem suas horas de lazer quase inexistentes; pensam três, quatro vezes antes de assumir uma dívida com o aniversário do filho; vive adiando aquela viagem ou aquela cirurgia. Tudo por conta de seu ideal, e recebem muito pouco ou quase nada de reconhecimento.

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