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| Nós professores merecemos tudo isso que diz a faixa, menos sermos passados para trás pelos próprios colegas. Por Thélia Theóphilo Bezerra |
Pode-se ir para onde bem entender, e voltar desse "onde" se quiser; fazer ou deixar de fazer algo; opinar ou não sobre qualquer coisa; omitir ou agir; seguir ou não a lei, a moral ou os costumes; salvar ou condenar, etc.
Porém tudo, na vida, tem seu preço e com ele vem certas cobradoras chamadas Responsabilidade e Consciência. São as fiscais de nossas vidas, de nossas atitudes.
Em portaria da Secretaria de Educação do DF ficaram estabelecidas as regras de pontuação sobre requisitos tais como formação, experiências, cursos de pós-graduação lato e strictum sensu, tempo de secretaria e de regência em salas de aula, dentre outros.
Os professores e professoras correram atrás de seus arquivos em busca de cursos e experiências profissionais realizadas. Pois cada pontinho a mais faria diferença em relação ao colega para a prerrogativa de poder escolher a disciplina ou mesmo a vaga, ou turno conforme o caso, naquela determinada escola.
Quem tivesse mais, sairia, com certeza, na frente.
Porém, no meio da corrida e das análises dos certificados apresentados, perceberam-se algumas inconsistências bem interessantes: alguns pouquíssimos professores em regência conseguiram a proeza de realizar em poucos meses (menos de 6, por exemplo) uma quantidade de cursos que somados davam mais de 3000 horas.
Ora! Ora! todos os avaliadores exclamaram: tais docentes são gênios em conseguir trabalhar o dia todo e fazer cursos longos, de certa complexidade, em curto tempo. Intuíram, contudo, que os cursos foram realizados a distância, já que não ficou clara a modalidade do curso. De qualquer modo soou estranho. A dúvida é: os docentes aprenderam utilizando-se de leitura dinâmica e assim sabem muito, têm muito conteúdo e portanto poderão ministrar aulas com excelente qualidade, ou, como noticiado recentemente, procuraram instituições de educação ou formação aparentemente sérias mas que nas horas vagas fazem uso da comercialização de certificados e diplomas. Tudo isso feito para não se correr o risco de ficar no final da fila, na somatória dos pontos, e, de quebra, conseguir pular a tal da barreira para progressão salarial.
Por um lado, não se pode atribuir toda culpa aos docentes, uma vez que não ocorre fiscalização nessas instituições referente aos critérios de admissão e permanência do aluno em mais de um curso ao mesmo tempo, em especial na modalidade a distância.
Por outro lado, ficam por conta dos docentes a responsabilidade e o senso de corretismo para refletirem sobre essa prática.
Tudo isso nos serve para ilustrar o quanto o ser humano está dominado pela ânsia de levar vantagens desmerecidas sobre os demais.

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